Ceüse 2010

Ceüse 2010
Ceüse 2010

1.8.11

Frankenjura

Enquanto a escalada esportiva ainda caminha no Brasil, na Europa é tradição há décadas. Em 1991, Wolfgang Gullich fez história ao realizar o FA da via Action Direct, 11c (9a fr), em Frankenjura. Um feito marcante uma vez que esta via permaneceu como a via mais difícil do mundo por vários anos até o Chris Sharma mandar a Realization (12a ou 9a+ fr). Action Direct foi a primeira via de 11c a ser encadenada no mundo e é considerada referência mundial, ou benchmark, neste grau. Para encadená-la, Gullich inventou o campus board – ele treinava campus de monodedo, simplesmente bizarro! 20 anos se passaram e Action Direct permanece como objetivo de cadena de todos os escaladores esportivos.

No entanto, Frankenjura não se resume à via Action Direct. Pelo contrário, Frankenjura é um Parque Nacional na Alemanha e possui dezenas de falésias, talvez possua centenas, cada uma com 10 a 150 vias!!! Uma curiosidade: o nome correto do parque, que fica na Bavária, é Frankische-Schweiss, mas, por motivos óbvios, a comunidade escaladora conhece a região, que tem cerca de 5000 km², como Frankenjura.

Início de junho passei uma semana me divertindo em Frankische... jura! Clima agradabilíssimo, calcário da melhor qualidade, cheio de buracos no melhor estilo curto e grosso – boulder! Mas com tantas falésias e tantas vias, é possível escalar vias longas e bonitas também, é só procurar... Aliás, procurar vias com o Guia de Frankenjura (o preto, de duas edições) é moleza caso tenha um GPS. Basta colocar as coordenadas e pronto, chega-se ao destino rapidamente. É claro que para poder aproveitar a plenitude da região é preciso ter um carro à disposição. Mas vale muito a pena. O lugar é mágico, e fica na Alemanha: organização plena; povo educado, silencioso e solícito; muita bratwurst com mostarda e chucrute, regados a cervejas de todos os tipos; sem contar as dezenas de estradas vicinais sem nenhum buraco, além das Autobahn’s (ou autovias ou vias expressas) que não possuem limite de velocidade nem pedágio! Pode parecer óbvio, mas eu preciso destacar que nas Autobahn’s não existe sinal (semáforo), somente viadutos na forma de trevo! Ou seja, em 20 minutos chega-se a qualquer falésia na região, a depender da disposição em apertar o acelerador.

Dentre as falésias que eu conheci, Schlossbergwand e o complexo Rolandfels / Rote Wand / Diebesloch foram as que eu mais gostei. Mas, na verdade, fui embora com a sensação de que será preciso fazer várias viagens só pra conhecer (quase) todas as falésias de Frankenjura.

1° dia de escalada em Frankenjura

 Fabio Gollum - Dezentraler Energiepfad 7c

Fabio Gollum - Sledgehammer 8c

Fabio Gollum - Sledgehammer 8c

Fabio Gollum - Sledgehammer 8c

Fabio Gollum - Sledgehammer 8c

Fabio Gollum - Sledgehammer 8c

Fabio Gollum - Sledgehammer 8c

Dia de turista em Bamberg

Celebrando mais um dia de escalada em Frankenjura

17.5.11

Serra do Cipó

Ou Cipózin para os mais íntimos, é sem sombra de dúvida a Meca da escalada esportiva no Brasil. Seus afloramentos rochosos de calcário proporcionam uma escalada de qualidade magnífica, sem gastar a pele da forma como estamos acostumados (nós do Rio de Janeiro). As centenas de vias em calcário manteiga do Cipó são recheadas de regletes com um pitaco de abaulados, pinças e copos. Há vias esportivas para todos os gostos: técnicas, atléticas e até tradicionais (em móvel). Mas, na minha opinião, o filé mignon são as vias esportivas atléticas, que, na vasta maioria, são muito bem grampeadas.

Localizado a pouco mais de 100 km de Belo Horizonte, às margens da rodovia MG-010, a Serra do Cipó fica na cidade de Santana do Riacho, distrito Serra do Cipó (antigo distrito Cardeal Mota). O Parque Nacional Serra do Cipó possui 3 entradas principais a um custo acessível e é repleto de cachoeiras lindíssimas ao longo de dois grandes Cânions, o das bandeirinhas e o do Travessão. Algumas cachoeiras, no entanto, têm acesso por trilhas marginais enquanto outras estão fora do Parque Nacional, porém dentro de propriedades particulares. A Cachoeira mais famosa da região e 3ª maior do Brasil, a Cachoeira do Tabuleiro, fica a uma hora e meia de carro continuando a MG-010, no município de Conceição de Mato Dentro. Esta cidade possui vários setores de boulder em quartzito de primeira qualidade e com certeza merece uma visita.

Com relação aos setores de escalada, ao contrário do que possa parecer, não se localizam dentro do Parque, mas sim dentro da APA – Área de Proteção Ambiental – Morro da Pedreira. Por isso, não é preciso pagar para escalar na Serra do Cipó. Esta APA foi uma enorme conquista da comunidade escaladora pela conservação do local que estava sendo explorado através da extração mineral.

O principal setor de escalada chama-se Grupo 3, ou G3, e fica a cerca de 20 min de caminhada a partir da estrada de terra que leva à Santana do Riacho. No G3 estão os sub-setores Anfiteatro, Sala da Justiça e Cangaço, além de várias outras vias espalhadas no caminho. Outros setores que são muito frequentados são:

i) Grupo 1 ou G1 – dentro da Pousada Morro da Pedreira, da Zulma, engloba também o sub-setor Vale de Blair, que faz sombra o dia inteiro;
ii) Setor Foda – fica logo após o G3, em direção ao G2 (nunca fui ao G2 e não sei se rola escalada neste setor, mas como é o Cipó, alguma coisa deve ter, pelo menos em móvel);
iii) Grupo 4 ou G4 – setor bem afastado que não é frequentado, mas possui muitas vias em móvel e potencial para a abertura de diversas vias em proteção fixa.

Neste ano, entre abril e maio, pude ficar algumas semanas na Serra do Cipó. Rolou muita escalada no Grupo 3 e a cada dia de descanso uma cachoeira diferente. Sinceramente, eu não preciso de mais nada. O lugar é tão perfeito, tão bão de mais, que dá vontade de fazer o mesmo que alguns amigos, simplesmente alugar uma casa e me mudar. Quem sabe né? Um dia eu ainda tomo coragem e faço isso. Nesse meio tempo conheci 2 setores de boulder em Conceição do Mato Dentro e, apesar do calor que estava durante o dia, escalamos vários boulders na sombra e na maior vibe.


Juliana - 1a parte da Ética Decomposta 8a

Juliana - Libera o Cliente 8b

Juliana trabalhando a 1a parte da Heróis da Resistência 9a

Juliana trabalhando a 1a parte da Heróis da Resistência 9a

Juliana trabalhando a 1a parte da Heróis da Resistência 9a

 Fabio Gollum - Heróis da Resistência 9c

 Fabio Gollum - Sombras Flutuantes 9b

 Fabio Gollum - Sombras Flutuantes 9b

 Fabio Gollum - Sombras Flutuantes 9b

Sala da Justiça

Galera na Cachoeira Congonhas

Cachoeira Congonhas

Cachoeira Grande - onde está wally?

8.3.11

Pedra da Ostra – Croqui


Tendo em mente o enorme potencial da Pedra da Ostra para a escalada esportiva, nada mais justo que o pico seja frequentado pela comunidade escaladora. Para tal, e a pedido de muitos, Frederico Almeida desenhou o croqui atual da Pedra da Ostra, o qual disponibilizo abaixo.

Entretanto, sabendo que apenas o croqui não é o suficiente, apresento a seguir uma indicação simplificada de como chegar à falésia:

1) Em Rio das Ostras, pegar a rodovia rural RO-005, conhecida também como Estrada da Califórnia (próximo à rodovia Eng. Luiz Gonzaga Quirino) em direção ao bairro Cantagalo.

2) Após cerca de 10 km, ao chegar na praça do bairro Cantagalo, logo depois do primeiro quebra-mola (de um total de três), pegar à esquerda na estrada de terra. Obs.1: na esquina à direita desta estrada de terra, em frente à praça, tem alguns bares mais o restaurante Panela de Pedra – que serve uma comida mineira de excelente qualidade.

3) Seguir pela estrada de terra e pegar à esquerda na única bifurcação existente, evitando a ponte. Logo a impressionante Pedra da Ostra estará à vista. Obs.2: seguindo esta estrada de terra chega-se à rodovia BR-101.

Lembrando que os visitantes devem retirar qualquer lixo produzido e/ou encontrado na base da falésia e não estacionar o carro na frente de porteiras, pois se trata de uma fazenda particular e se não mantivermos a boa educação, a limpeza e a arrumação da área, poderemos vir a perder este local abençoado para a escalada esportiva. Mais uma vez agradeço pela compreensão de todos.


 
Setor Tira-Gosto:
1) Tá rindo do quê, 7b (5 proteções)
2) Tira Gosto, 7b (6 proteções)
3) Presente Zen, 7c (7 proteções)
4) O Esporro, projeto (8 proteções)
5) O Berro, 8b / 8c (6 / 11 proteções)
6) Suicídio Inconsciente, 8b (12 proteções)
7) Projeto, 5 proteções – em conquista
8) Bernardo Collares, 8a (9 proteções)
9) Projeto, 1 proteção – em conquista

Setor Principal:
10) Cavaleiro das Trevas, 9b (13 proteções)
11) Enigma do Diedro, 7c / projeto (13 / 18 proteções)
12) Zigue-Zague na Titica – em manutenção
13) Berzerker, projeto (8 proteções)
14) Frenesi, projeto (7 proteções)
15) Lista Negra, projeto (5 proteções)

Setor Tradicional:
16) Trem das Quatro, 7a (5 proteções)
17) Via do Bombeiro, 5°sup (6 proteções)
18) Ziriguidum, 6°sup (6 proteções)
19) Balacobaco, 6º (9 proteções)

30.1.11

Verão na Barrinha


            Neste verão de chuvas intensas, de muito calor e muita umidade, acabei ficando em Niterói mesmo. Aproveitei para escalar muito na Barrinha. Fazia um tempo que não frequentava a Barrinha com afinco. Apesar da distância e do tempo de viagem – 1 hora pra ir e 1,5 hora pra voltar, escolhendo bem os horários para fugir da hora do rush, passei a escalar 3 vezes por semana na Barrinha (excelente!), mais um dia ou outro de boulder / treino no Escalada Indoor Icaraí.

            A Barrinha no verão é uma incógnita. Devido à elevada umidade, tem dias que a escalada é bem exaustiva. A dificuldade começa logo no início, na caminhada até a base. O “cara do balde” é companhia garantida por toda a subida. Vale uma blusa extra só pra caminhada. Além disto, como as vias são muito extensas, se não estiver rolando aquela brisa salvadora, na metade da escalada de uma via, a quantidade de suor pode ser tão grande que fica difícil até passar magnésio. Culpa do “cara do balde”!

Mesmo nos dias mais quentes, escalar na Barrinha é diversão garantida, uma vez que as vias são muito legais e de qualidade excepcional. A Barrinha se caracteriza por vias muito longas e pouco negativas – escalada de “placa” – o que requer bastante técnica e, de preferência, uma sapatilha bem precisa. A grampeação em geral é bem afastada (tipo um E2 de parede), o que torna os vôos muito legais, ainda mais quando se pula uma proteção, fato que ocorre com certa frequência. No geral, as vias têm de 75 a 100 movimentos (contados pelas mãos) de uma regletera que parece sem fim, requisitando muita resistência dos escaladores, apesar da pouca negatividade da falésia.

            Em dias bons, a Barrinha tem um clima bem agradável, com vento constante e sombra até as 14:00 horas. Em raras ocasiões, o vento é tão forte que chega a fazer frio em pleno verão carioca, mesmo em dias de Sol!

No fim das contas, as vias da Barrinha são tão maneiras que vale a caminhada até a base pra saber se as condições estarão boas ou não.


Juliana trabalhando a Filé com Certeza 9a

Juliana trabalhando a Filé com Certeza 9a

Juliana trabalhando a Filé com Certeza 9a

Fabio Gollum - Filezão 9c

Fabio Gollum - Filezão 9c

Fabio Gollum - Filezão 9c

22.1.11

Pedra da Ostra – Mais conquistas e situação atual


Quando voltei a frequentar a Pedra da Ostra, escalei um pouco nas vias da falésia e tratei logo de conquistar, junto com Fabrício e Juliana, a via Enigma do Diedro. Esta via fica no setor Principal e também demandou quase uma semana para ficar pronta, pois entramos diversas vezes na via em top rope antes de colocar as proteções e a negatividade da falésia também atrapalhava. Acabou que a conquista da primeira parte, um 7c clássico demais, foi realizada praticamente de baixo para cima utilizando-se equipamento móvel. O top rope armado servia somente como balanço (muito legal por sinal) e segurança por causa da negatividade da via.

A parte final da via ficou por um pequeno período de tempo interditada, pois havia uma agarra chave preste a quebrar. Algum tempo depois voltamos e sikamos 2 agarras (as primeiras e únicas da falésia com sika) e largamos a via por um tempo para a sika curar.

Fiquei mais um tempinho afastado e ao retonar à Pedra da Ostra, Fabrício conquistara a via Suicídio Inconsciente com sua namorada, Natália Falcão. Esta via é uma via alucinante de 8b com 7 proteções até um platô e mais 5 proteções recém colocadas até o final, cujos lances são fáceis e levemente expostos.

Eu, Fabrício e Juliana conquistamos também mais 2 vias à direita da via inacabada Zigue-Zague na Titica, mas devido à negatividade e ao tamanho dos regletes, estas vias e suas variantes devem ficar na casa do 10° e 11° grau.

Como a via Enigma do Diedro, logo ao lado, não deixava os meus pensamentos, entre um dia e outro de conquista entrei 3 vezes na parte final da via, isolando as próximas 3 proteções, que é o crux da via. Acredito tratar-se de um 9c, cuja aderência tem 2 proteções, até o 7c são mais 11 e até o final são mais 5 proteções, num total de 18 chapeletas.

Tenho certeza que enquanto publico esta mensagem mais vias devem ter surgido na Pedra da Ostra, pois os escaladores de Rio das Ostras e Macaé estão super empolgados com a falésia. Que venham mais vias, desde que conquistadas com qualidade e respeitando a ética local.

Enquanto o guia nem o croqui são disponibilizados, basta entrar em contato com a galera local, pois tem sempre algum escalador da área disposto a receber novos visitantes e apresentar esta magnífica falésia, com destaque para os escaladores locais Fabrício Lofrano, Frederico Almeida e Sérgio Santos. Nas vezes que eu estiver na área também me disponho a recebê-los com o maior prazer.

Só peço aos visitantes para retirar qualquer lixo produzido e/ou encontrado na base da falésia e não estacionar o carro na frente de porteiras, pois se trata de uma fazenda particular e se não mantivermos a boa educação, a limpeza e a arrumação da área, poderemos vir a perder este local abençoado para a escalada esportiva. Grato pela compreensão de todos.


 Conquista da Enigma do Diedro 7c / Projeto

Conquista da Enigma do Diedro 7c / Projeto

 Proteções utilizadas nas conquistas

 Fabio Gollum - Suicídio Inconsciente 8b

 Fabio Gollum - Suicídio Inconsciente 8b

 Fabio Gollum - Suicídio Inconsciente 8b

 Fabio Gollum - Suicídio Inconsciente 8b